30 maio 2008

"Mentir para si mesmo é sempre a pior mentira"

De que adianta agradares tudo e todos e não te agradares a ti mesmo?
Quantas vezes fazes o que os outros esperam de ti e não o que querias realmente fazer?
Para quê ajudares os outros a sorrirem, se por dentro, o teu próprio coração chora?
Não será tempo de olhares a ti mesmo?
Quantas vezes, para evitares ferir ou magoar alguém, não te anulaste?
Esquecendo-te das tuas próprias crenças e valores? Dos teus gostos e desejos?
Escondendo os teus defeitos, mostrando apenas as tuas virtudes…Como se estas fossem mais importantes do que o medo que te faz crescer…
Quantas horas, quantos dias, quantos meses, já te dedicaste a alguém ou a alguma causa, não parando um só segundo para pensar em ti? No que precisas…no que sentes…
Tudo isso é bom….Tudo isso é lindo….
Mas esqueceres-te de ti mesmo é cruel….
Há tantas maneiras de ajudar o outro, de contribuir para o mundo, de ser um melhor Ser Humano…
Uma delas será começares por ser fiel a ti mesmo.
Assim, já estarás a contribuir, não enganando ninguém – começando por ti próprio.

O medo

O medo que nos impede de falar
O medo que nos impede de agir
O medo que nos impede de seguir em frente
O medo de não arriscar
O medo de falhar
O medo de ficarmos sós
O medo de tudo perder
O medo que nos acelera a respiração
E não nos deixa pensar como deve ser…

Esse medo…
Aquele medo…

É o mesmo medo que nos faz crescer
É o mesmo medo que nos acorda
É o medo que nos ajuda
Que nos faz ultrapassar obstáculos e barreiras
Vencer batalhas
E quem sabe algumas guerras!

29 maio 2008

A eterna luta

Eu tento não magoar os outros
Mas também tento não me magoar a mim mesma;
Eu tento não pensar só em mim
Mas também tento não me esquecer de mim;
Eu tento estar sempre presente
Mas às vezes necessito ficar ausente;
Eu tento não deixar de dizer o que sinto
Mas por vezes o silêncio é precioso;
Eu tento e luto para ser uma pessoa melhor
Mas eu não sou melhor que ninguém;
Eu tento não enganar os outros
Mas por vezes não consigo evitar enganar-me a mim mesma;
Eu tento me explicar e me justificar quando erro
Mas errar é humano…
E eu não tenho que provar nada a ninguém;
E eu tento lutar…
Mas sei que nem sempre conseguirei vencer.

24 maio 2008

A nossa viagem

Este caminho, esta viagem…
Este trabalho interior…
Esta vida…
A descoberta, a consciência, a mudança…
O facto é que vivemos num determinado nível de consciência e consoante a nossa disposição e vontade para passar ao patamar seguinte, ela vai mudando e com ela vamos mudando, crescendo, evoluindo…
“Quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece”
É como se apenas pelo nosso desejo, as portas que dantes pareciam fechadas, agora vão-se abrindo, uma a uma, lentamente, com surpresas…
Surpresas que dizem ser boas, outras más… Mas para mim, não são boas nem más, são as correctas, são necessárias…Por mais que não pareçam fazer sentido e até doam, são as que nos vão levar ao nosso caminho.
São como as escolhas que fazemos ao longo da nossa vida…elas não são certas nem erradas, não são boas nem más, são simplesmente, as nossas escolhas.
No entanto e como já tão bem se sabe, todo o processo de evolução, crescimento e auto-conhecimento poderá implicar dor.
É difícil reconhecermo-nos a nós próprios…
É difícil aceitarmos que tudo está dentro de nós e não fora….
É difícil apontar o dedo para nós próprios e não para os outros…
Que doloroso é…
Mas que gratificante ainda mais o é!
Ao reconhecermo-nos como criadores de tudo o que somos e temos,
Vamos ao encontro da sabedoria, da verdade, do nosso Eu interior.
A guerra entre o ego e o verdadeiro eu, deixa de ser a eterna guerra sem sentido
E passa a ser uma batalha…várias pequenas batalhas, diárias, cujas várias vitórias se tornam a iluminação do sentido do nosso viver.
Os nossos erros e a nossa dor, são grandes aliados nesta jornada.
Tal como o medo, que outrora nos impedia de avançar, hoje é o nosso melhor amigo, revelando-nos o que tanto queremos e por isso, receamos.

E não tenhamos pressa, apenas o desejo e a consciência.

Parar é necessário.

Há tempos,
De tanto procurar, me perdi
De tanto querer, pouco alcancei
De tanto querer sorrir, tantas vezes que chorei
De tanto sonhar, pouco realizei
De tanto a alguém me querer dar,
Foi sozinha que me encontrei…

E foi sozinha que me apercebi
Que está tudo dentro de mim.
Tudo o que procurei
Tudo o que sempre quis
Tudo o que sonhei
E tudo o que ignorei…

Procurando,
Noutro lugar
Noutra pessoa
Noutra aventura
Noutro momento

O que já existe, o que já é, o que sempre foi e sempre será….

De tanto correr, acabei por parar…

E foi parando que me reconheci
Foi parando que me libertei
Foi parando que me comecei a amar
Foi parando que me apercebi
Que afinal nunca quis correr desta maneira
Fugindo de algo que eu própria não tinha consciência

Agora,
Ouço-me
E observo-me…

Tento ser a espectadora do meu próprio teatro que é a minha vida…
Agora,
Ouço e convivo com o silêncio e este não me incomoda mais…
As lágrimas que agora correm o meu rosto,
Não são só de tristeza, mas são de alegria e gratidão.

Afinal parar não é morrer como um dia acreditei…
Afinal, parar é necessário…

22 maio 2008

Procura em ti o que realmente És
E não o que gostarias de ser
Pois só assim poderás ser Tu mesmo.

4 Elementos

Os rios.
Os lagos.
O mar.
O oceano.
A água…

As montanhas.
Os vales.
O campo.
A praia.
A terra…

A lua.
E as estrelas.
O sol.
O calor.
O Fogo…

O céu.
As nuvens.
A brisa.
E o vento.
O frio.
O ar…

Gostava de me deixar correr como um rio…
Ter a beleza de um lago…
A força do mar…
E a imensidão de um Oceano.

Gostava de ser grande como as montanhas…
Profunda como os vales…
Ter tanto para oferecer como o campo…
E ser leve como a areia de uma praia.

Gostava de ter o sorriso da lua…
E ter tantos amigos como as estrelas…
De ser a luz de alguém como o sol que me ilumina…
E todos os dias ter o calor de um abraço.

Gostava de ser o infinito do céu…
E poder brincar nas nuvens…
Ser a brisa de uma noite quente….
E ser o vento forte no cimo de uma montanha…

O frio…? Que eu seja sempre capaz de me aquecer

Gratidão

Agradeço a todos aqueles que um dia me fizeram sorrir,
E a todos aqueles que me secaram as lágrimas…
Agradeço também aos que me deixaram cair essas mesmas lágrimas,
Pois com esses, eu aprendi e cresci.

Agradeço a quem um dia me deu a mão,
Mas também a quem um dia, me deixou cair,
Pois dessa forma, aprendi a levantar-me.

Agradeço aos que estão presentes, aos que passaram e aos que hão-de vir…

Agradeço mesmo a quem um dia me magoou,
Porque com esse, aprendi mais uma lição…
E infelizmente, o sofrimento trás sabedoria.

Agradeço a quem esteve ao meu lado, nos meus piores dias,
Mas também a quem me abandonou,
Pois dessa forma dei valor e reconheci os meus verdadeiros amigos.

Agradeço aos amigos que tenho e que tive e que irei ter…
Aos amigos do coração,
E aos amigos da diversão.
Aos amigos próximos,
E aos amigos afastados.
Aos amigos de infância,
E aos amigos recentes.
Aos amigos virtuais,
E aos amigos reais.

Todos eles, de alguma forma, contribuíram para algum momento da minha vida, nem que fosse, um breve instante.

Agradeço a quem me ajuda a ver a realidade,
A quem me ajuda a viver com os meus pés na terra.
Mas também agradeço aos que me ajudam a sonhar
E me incentivam a voar mais alto.

E até agradeço aos que me irritam,
Pois eles permitem-me ver uma parte de mim…escondida,
São, de certa forma e em certa parte, o meu espelho…

Agradeço assim a todas as pessoas que eu atraí para a minha vida.
Eles foram, são e serão, de alguma forma, os meus Mestres.

19 maio 2008

Um olhar

Às vezes olho…
Observo as coisas, as pessoas…
E apenas com um olhar,
Chego a reconhecer a beleza onde tudo parecia ser feio…
A ver a luz no meio da escuridão…
E a ouvir o silêncio no meio de uma multidão…

Às vezes, olho…
Olho e lanço o meu olhar para longe…
Perco-me no infinito…
E lá vivo por uns segundos…

Às vezes, olho…
E no silêncio de um olhar
Diz-se mais do que em mil palavras…

Às vezes,
Neste e naquele olhar,
Se vê a verdadeira essência da pessoa…
Sente-se o que ela é,
Independentemente do que ela possa dizer ou fazer…
Apenas com um olhar…

Às vezes, precisamos do olhar de outros,
Para nos vermos…
Precisamos que vejam de fora,
O que somos por dentro…
Quantos de nós não estamos longe de nós próprios?
Quantos de nós, o olhar não engana?

Às vezes olho, mas não vejo…

Gostava de ter o poder,
De por uns breves instantes,
Sair de mim…
Sair de mim…E ver-me…
Ser a minha própria espectadora…
Observar-me…

E lançar-me um olhar,
Capaz de me alcançar…

18 maio 2008

Coragem

Por vezes penso que me falta a coragem…
A coragem de fazer o que por vezes sinto…
O sentimento de por vezes querer sair daqui…
Daqui deste lugar que por vezes pareço não pertencer…

Pertencer??
Pertencerei eu a algum sítio ou a alguém?
Haverá lugar, aqui perto ou tão longe, onde afinal, eu sinta que pertenço?
Onde me identificarei?
Haverá pessoa a quem pertenço?
A quem eu realmente me quero dar?
Ou serei apenas eu? Aqui e agora, neste lugar?

Coragem…
Será que me falta mesmo essa coragem?
Coragem de desaparecer…
De deixar tudo para trás e seguir em frente?
Rumo ao desconhecido?
Ao improviso da vida?
Ah que vontade…
Sentirei eu esta vontade porque ela é real e está dentro de mim?
E dentro de mim tudo é verdade!
Dificuldade é ter consciência de tudo o que sou e possuo, cá dentro, bem dentro e fundo de mim…

Coragem…
Ou falta dela?
Ou serei eu tão corajosa que nem reconheço?
Será a verdadeira coragem esta?
De aqui viver e tudo “isto” enfrentar?
Lidar com “isto tudo”…com estas pessoas…com esta pressão…com estes problemas…com estes sentimentos…
Às vezes sinto que “isto tudo” me “suga” e me consome…

E a verdadeira vitória, bem sei…
Seria conseguir aqui continuar sem que nada “disto tudo” me afectasse…me “sugasse”…

E eu vou conseguir…
Eu quero conseguir…
Ou será que não quero?
Será que quero mesmo saber lidar com “isto tudo”?
Ou será que já há muito sei que não é “isto” que eu quero? E pronto?

Tantas questões…
Eternas questões…

Mas isto é crescer…é aprender…é viver…



(….E tantos chamam a este Eu, de “Corajosa”!)

17 maio 2008

O vazio

O vazio e a saudade de alguém que nunca veio…
O vazio e a vontade de ter algo que nunca se teve…
O vazio e o medo de se fazer algo que nunca foi feito…
O vazio e o silêncio das palavras que nunca foram ditas…
O vazio e a esperança de alcançar o sonho nunca realizado…
O vazio que é preenchido pelas coisas…
Coisas materiais…Coisas inúteis… Coisas e mais coisas que vamos adquirindo sempre querendo mais e mais…esquecendo-nos do que realmente importa….do que realmente queremos…
Procurando fora o que está dentro…
Coisas que o tempo leva…
O tempo que passa…
O tempo que não volta mais…
O tempo que é o vazio…
O vazio das coisas…
O vazio do Ser…

Coisas e coisas e coisas…
Se as retiramos das nossas vidas…o que nos resta?

Honduras e Belize

Não há paragens de autocarro…nem há estradas…há caminhos….
Pessoas na beira da estrada acenam e o Bus pára, quantas vezes for preciso…
Horas e horas viajamos por caminhos de terra batida, apenas com a paisagem de selva de um lado, selva do outro…e nada mais no horizonte…
Somos largadas no meio da estrada e esperamos alguém que nos leve…a algum lado…
Lado esse que nada tinha, senão praia e areia que poderia ser paradisíaca, não fossem estar misturadas com tanta lixeira…
Andamos um pouco e mais um pouco…Caminhada que nos leva ao Resort e onde usufruímos da beleza e quietude da paisagem…das águas…da praia….do momento…

Pessoas de cor negra…
Vestidas a traje de missa…
Reunião em plena rua, por debaixo de um prédio qualquer…
Casas simples, velhas, coloridas e suspensas em pilares com alpendres de mármore, mas interiores de contraplacado…

Todos nos falam
Todos nos sorriem
Aqui os sorrisos trocam-se como palavras
E os rostos repetidos tornam-se “amigos”!

A curiosidade e o espanto sobre a nossa origem é uma constante
As nossas palavras ecoam como ruídos estranhos de local desconhecido…

Viajamos no meio do povo,
Nos velhos “School Bus” amarelos, de janelas abertas e cabelos ao vento…
Fazem-se corridas nas “vanetes”, gritos e assobios…pica-se o ponto…

Bebemos sumos em sacos plásticos…

O povo aqui é uma mistura…
Traços que se fundem num “mix” de indígenas, espanhóis, americanos, latinos, mexicanos….
Rostos vincados, olhos esticados, peles escuras e sorrisos nos lábios…

Horas e horas viajamos pelos caminhos de terra batida…
De um lado selva e índios…do outro….índios e selva…
Civilizações perdidas no tempo…

Uma longa caminhada nos leva a uma gruta gigante, escura e mística…
Nadamos pela escuridão e na água gélida…
Luzes na testa iluminando o mínimo de tamanha imensidão…
Emoção, adrenalina, surpresa, medo, alegria, silêncio, curiosidade, sensação única de momento inexplicável…
Risos que se misturam com os nervos
Gritos que se perdem no silêncio…no maior e mais profundo silêncio que jamais experimentei na vida, fundido pela escuridão e imensidão das grutas…
Apagam-se as luzes…respira-se e sente-se…o silêncio!! O tudo e o nada! A escuridão…(ou “a iluminação?”)

Somos perseguidas pelas ofertas do que procuramos…
Tudo surge…tudo acontece…

Até mesmo o pior cenário, o pior sítio, nos trás algo de encantador e surpreendente…

Momentos de longas conversas
Momentos de grande silêncio
Momentos de risos, alegrias e emoção
Momentos de pânico, de medo, de expectativa…

Aqui não há vedações…recintos…ou espaços próprios destinados a determinadas áreas…
Escolas na areia onde brincam crianças junto ao “passeio acimentado” da praia…
Cemitérios no meio de estradas, campas na praia…
Campas abandonadas agora dando origem a trajectos pedestres de areia branca, por entre as palmeiras, rumo à praia…

Relaxamos numa esplanada servidas por um típico e simpático casal…
A leve brisa da quente noite, refresca a boa comida e a boa música local inspira o momento…

Flutuamos em águas quentes e transparentes, dislumbrando as imensas cores, feitios e tamanhos da vida marinha da ilha mais pequena e mais paradisíaca que encontrámos…

Descobrimos as terras em carrinhos de Golf a toda a velocidade…
Ilhas parecendo constituídas por gente do mundo…como que uma comunidade de estrangeiros, de todo o mundo, que um dia vem e fica…
Cada um com uma história por contar…

E tanto mais aqui, haveria por contar…

Mais uma viagem

Honduras, Belize e Miami...

Desta vez a viagem foi diferente...

Mochila às costas, o "kit" da sobrevivência e aí vamos, rumo à aventura...

Esquecendo tudo o que sou aqui...o meu trabalho, a minha casa (e o seu conforto), o meu carro, as minhas cantorias, os meus medos e as minhas ambições, o meu dia-a-dia....
Esquecendo tudo, vive-se cada dia, cada minuto, cada momento, o agora...sem pressas para chegar ao próximo destino...

Parecia que tinha levado uma mega-injecção de "xanax" ou "valeriana" para toda a viagem...pois estava estupefacta comigo mesma...com a serenidade e tranquilidade que sentia, mesmo em situações menos agradáveis (como ter sido largada no meio da estrada, de mochila às costas, após viajar horas e horas e nada avistar no horizonte...) ...

Curioso...
Curioso que aqui ande sempre a "mil"... sempre a "debitar" mil ideias por segundo, sempre a "inventar" novas coisas para fazer, novos cursos, novos hobbies, novos livros para ler, novas pessoas para conhecer...novos sítios para ir...
E na viagem, apenas me deixei ir...E vivi, cada momento, sem imaginar ou ambicionar, o momento seguinte...

E agora?

Ensinaram-me a andar
Mas não me ensinaram a cair...

Ensinaram-me a ouvir
Mas não me ensinaram a compreender...

Ensinaram-me a lutar e a vencer
Mas não me ensinaram nem me prepararam para perder...

Ensinaram-me a falar, a saborear, a tocar
Mas não me ensinaram a sentir...

Falam e preparam-nos para um futuro
Mas esquecem-se constantemente, do presente...

E agora?