17 maio 2008

Honduras e Belize

Não há paragens de autocarro…nem há estradas…há caminhos….
Pessoas na beira da estrada acenam e o Bus pára, quantas vezes for preciso…
Horas e horas viajamos por caminhos de terra batida, apenas com a paisagem de selva de um lado, selva do outro…e nada mais no horizonte…
Somos largadas no meio da estrada e esperamos alguém que nos leve…a algum lado…
Lado esse que nada tinha, senão praia e areia que poderia ser paradisíaca, não fossem estar misturadas com tanta lixeira…
Andamos um pouco e mais um pouco…Caminhada que nos leva ao Resort e onde usufruímos da beleza e quietude da paisagem…das águas…da praia….do momento…

Pessoas de cor negra…
Vestidas a traje de missa…
Reunião em plena rua, por debaixo de um prédio qualquer…
Casas simples, velhas, coloridas e suspensas em pilares com alpendres de mármore, mas interiores de contraplacado…

Todos nos falam
Todos nos sorriem
Aqui os sorrisos trocam-se como palavras
E os rostos repetidos tornam-se “amigos”!

A curiosidade e o espanto sobre a nossa origem é uma constante
As nossas palavras ecoam como ruídos estranhos de local desconhecido…

Viajamos no meio do povo,
Nos velhos “School Bus” amarelos, de janelas abertas e cabelos ao vento…
Fazem-se corridas nas “vanetes”, gritos e assobios…pica-se o ponto…

Bebemos sumos em sacos plásticos…

O povo aqui é uma mistura…
Traços que se fundem num “mix” de indígenas, espanhóis, americanos, latinos, mexicanos….
Rostos vincados, olhos esticados, peles escuras e sorrisos nos lábios…

Horas e horas viajamos pelos caminhos de terra batida…
De um lado selva e índios…do outro….índios e selva…
Civilizações perdidas no tempo…

Uma longa caminhada nos leva a uma gruta gigante, escura e mística…
Nadamos pela escuridão e na água gélida…
Luzes na testa iluminando o mínimo de tamanha imensidão…
Emoção, adrenalina, surpresa, medo, alegria, silêncio, curiosidade, sensação única de momento inexplicável…
Risos que se misturam com os nervos
Gritos que se perdem no silêncio…no maior e mais profundo silêncio que jamais experimentei na vida, fundido pela escuridão e imensidão das grutas…
Apagam-se as luzes…respira-se e sente-se…o silêncio!! O tudo e o nada! A escuridão…(ou “a iluminação?”)

Somos perseguidas pelas ofertas do que procuramos…
Tudo surge…tudo acontece…

Até mesmo o pior cenário, o pior sítio, nos trás algo de encantador e surpreendente…

Momentos de longas conversas
Momentos de grande silêncio
Momentos de risos, alegrias e emoção
Momentos de pânico, de medo, de expectativa…

Aqui não há vedações…recintos…ou espaços próprios destinados a determinadas áreas…
Escolas na areia onde brincam crianças junto ao “passeio acimentado” da praia…
Cemitérios no meio de estradas, campas na praia…
Campas abandonadas agora dando origem a trajectos pedestres de areia branca, por entre as palmeiras, rumo à praia…

Relaxamos numa esplanada servidas por um típico e simpático casal…
A leve brisa da quente noite, refresca a boa comida e a boa música local inspira o momento…

Flutuamos em águas quentes e transparentes, dislumbrando as imensas cores, feitios e tamanhos da vida marinha da ilha mais pequena e mais paradisíaca que encontrámos…

Descobrimos as terras em carrinhos de Golf a toda a velocidade…
Ilhas parecendo constituídas por gente do mundo…como que uma comunidade de estrangeiros, de todo o mundo, que um dia vem e fica…
Cada um com uma história por contar…

E tanto mais aqui, haveria por contar…

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