21 outubro 2010

A Vida me ensinou...

"A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",
embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher."

Charles Chaplin

09 setembro 2010

Há livros...

Apesar desta sede de viver, desta sede de conhecimento, sou pouco dada a leituras...Parece um contracenso, pois a toda a hora anseio conhecer mais, saber mais e mais....e tanto assunto e tanto livro que me ocorre para ler...Mas depois, vão ficando pela prateleira...Ora pelo conteúdo, ora pelo tipo de escrita, ora pelo cansaço...Há sempre uma desculpa!....
Poucos foram os livros que me seduziram do princípio ao fim...E este, foi, surpreendentemente, um deles. Quando me emprestaram este livro, olhei para a sua capa espantada, questionando-me como iria eu encontrar interesse e entusiasmo num livro com aquele título? Em resposta à minha reacção, o meu bom amigo disse-me "Nunca julgues um livro pela sua Capa!"......E confiei nele, pois para além de me conhecer, sabia das minhas dificuldades para estas coisas das leituras....
De facto, se tento não julgar qualquer pessoa pelo primeiro impacto, pelo que aparenta ser, porque haveria de o fazer com um mero livro? Nós, seres humanos, e o julgamento....!!
Surpreendi-me em cada página deste livro e apaixonei-me por cada linha...
As maiores lições nesta vida podem ser aprendidas em qualquer momento, com qualquer pessoa...
Deixo alguns excertos...
E...Obrigada Bruno!

Ana Sofia Rodrigues


"Esta praia constitui uma boa metáfora da tua vida (...) A vida é, em muitos sentidos, uma praia. Reflecte uma viagem que tem partes arenosas e partes rochosas, curvas e rectas. Por vezes, vês as ondas retumbantes, ao acordar, e sentes a fúria do oceano; outras vezes, deparas-te com uma calma abençoada e uma quietude magnífica. (...) Compreendi que as leis da vida são precisamente as leis da natureza. Analisa a maneira como a natureza funciona e poderás deduzir como é que a vida, ao seu nível mais verdadeiro, funciona também."

"Pára de te massacrar (...). É como te disse antes: estás exactamente onde deves estar. Pára de questionar o teu percurso e desfruta do lugar onde chegaste. Tudo o que te aconteceu pelo caminho tinha de acontecer. A aceitação é fundamental neste processo. O agora é um momento especial da tua vida: aprecia-o. Estás a recuperar a tua vida original, aquela que te foi destinada, antes de outras coisas se interporem no caminho."

"Todos nós temos de dar às pessoas que nos rodeiam permissão para serem elas próprias. Temos (...) de deixar as pessoas dançarem ao seu próprio ritmo e sentirem-se suficientemente seguras para se revelarem como são, diante de nós. É essa a definição de amor incondicional: incentivar as paixões, amores e sonhos das pessoas, ainda que não concordemos com elas."

Do Livro "O Santo, O Surfista e a Executiva" de Robin Sharma


Chove lá fora....
É verão...e chove lá fora...quase que me dá vontade de ir a correr para a rua...ao invés de me recolher em casa...
Recordo os dias na Tailândia, onde é uma constante chuvas torrenciais e trovoadas repentinas....30 e tal graus, havaina no pé, mas a chuva é tanta tão forte, que somos mesmo obrigados a nos proteger....Passa no instante...em poucos minutos a chuva dá lugar de novo ao sol e as ruas complentamente inundadas vão secando, a pouco e pouco....O calor era tanto que foram muitas as vezes que quando começava a chover eu e outras pessoas iamos a correr de felicidade para a chuva! Ah como é bom não ter regras...como é bom não fazer o esperado, o suposto, o dito correcto!!
Às vezes queria apenas ser um pouco mais louca do que o que sou...fazer tolices e parvoices...onde quer que fosse, com quem quer que fosse.....e nem que fosse, apenas para sacar um sorriso a alguém!!! Já imaginaram conseguir pôr a rir o mais irritante e arrogante dos seres humanos? Que privilégio!

24 agosto 2010

Felicidade Realista

Complicadinho o Ser Humano, não? Onde está escrito que tem de ser assim ou assado? E se está, porque temos de seguir o que já foi escrito e não criar as nossas próprias páginas da vida? Porque será o Ser Humano, constantemente, insatisfeito?
Metas altas? Tantas!

Ana Sofia Rodrigues


"FELICIDADE REALISTA

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. "

Martha Medeiros

Seja um idiota

Quantas vezes já dei por mim a dizer "adoro ser parva!" E adoro mesmo...quando estou naquele "estado puro de parvoíce", que brinco com tudo, rio do nada...cada palavra que ouço me faz lembrar uma música que imediatamente me ponho a cantarolar...digo e faço coisas tão parvas, sozinha ou acompanhada, que me fazem sorrir e rir e disfrutar da minha própria parvoíce!
Há melhor "prémio" para os dias difíceis que por vezes vivemos, do que conseguir rir de nós mesmos? Rir do que habitualmente nos consome, nos limita, nos assusta? Há melhor do cantar, dançar e pular, sem razão alguma aparente? Há melhor do fazer surpresas, enviar postais ou mensagens parvas a alguém, apenas e somente para lhe arrancar um sorriso? Há melhor do que ser adulto e conseguir continuar a ser criança?
Não sei porque teimo em ser tão "certinha" às vezes...adoro ser parva!!! Quem me dera ser ainda mais parva, mais dias por semana, mais horas por dia....

Encontrei este belo texto e não pude deixar de o partilhar...

Ana Sofia Rodrigues



"Seja um Idiota

A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
hahahahahahahahaha!...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Dura, densa, e bem ruim.
Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.
Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.
Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:
passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!"

Arnaldo Jabor

Autobiografia em 5 Capítulos

Quantos de nós, não repetimos os mesmo erros, sucessivamente...?
Quantos de nós, não insistimos, constantemente, nos mesmos caminhos...?
Há lições mais demoradas a aprender, nesta escola da Vida...

Ana Sofia Rodrigues


"1) Caminho por uma rua.
Há um buraco profundo no passeio
E caio lá dentro.
Estou perdido…não sei o que fazer.
A culpa não é minha.
Preciso de uma eternidade para descobrir a saída.
2) Caminho pela mesma rua.
E lá está um grande buraco no passeio.
Finjo que não o vejo.
Caio outra vez.
Custa-me a acreditar que esteja no mesmo lugar,
Mas a culpa não é minha.
Ainda preciso de muito tempo para sair.
3) Caminho pela mesma rua.
Há um profundo buraco no passeio.
Vejo que lá está.
Mas caio…já é um hábito
Tenho os olhos abertos,
Sei onde estou
Mas a culpa é minha.
E saio imediatamente.
4) Caminho pela mesma rua.
Há um profundo buraco no passeio.
E passo ao lado.
5) Caminho por outra rua.”

Do “O Livro Tibetano da Vida e da Morte”

22 agosto 2010

"O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até si."

Mário Quintana


Numa tarde fria em Paris, nevava…
Um cego encontrava-se sentado no chão de uma rua no Centro daquela linda e maravilhosa cidade…
O chapéu à sua frente pedia as esmolas e ao seu lado,
Encontrava-se uma tabuleta que dizia:
“Por favor ajude-me, sou cego”
O chapéu continuava vazio…
As pessoas passavam e ignoravam…
Até passar um criativo…
Olhou, parou…
Apagou o que estava escrito na tabuleta e escreveu outra frase…
A partir desse momento as moedas não pararam de cair no chapéu…
Incrédulo, o cego aproximou-se de uma das pessoas que lhe depositava a sua esmola e pergunta:
“Desculpe, pode-me dizer o que está escrito na tabuleta?”
O Sr. Responde:
“Está a nevar em Paris e eu não consigo ver”
“Podemos facilmente perdoar uma criança por ter medo do escuro.
A verdadeira tragédia da vida, é quando um adulto tem medo da luz.”

Platão



Onde colocarias o sal?

"O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal num copo de água e bebesse.
- Qual é o sabor? – perguntou o Mestre.
- Ruim – respondeu o jovem.
O Mestre sorriu e pediu que ele pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem colocou o sal no lago. Então o velho disse:
- Bebe um pouco dessa água.
Enquanto a água escorria pelo queixo do jovem, o Mestre perguntou:
- Qual é o sabor?
- Bom! – disse o jovem.
- Sentes o sabor do sal? – perguntou o Mestre.
- Não – respondeu o jovem.
O Mestre então sentou-se ao lado do jovem, pegou nas suas mãos e disse:
- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando sentires dor, a única coisa que deves fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a tua volta.
É dares mais valor ao que tens do que ao que perdeste.
Por outras palavras: É deixares de ser Copo, para te tornares num Lago."

Outro tipo de mulher nua

"Depois da invenção do photoshop,
até a mais insignificante das criaturas
vira uma deusa, basta uns retoquezinhos,
aqui e ali.
Nunca vi tanta mulher nua.
Os sites da internet renovam semanalmente
seu estoque de gatas vertiginosas. O que não falta é candidata
para tirar a roupa. Dá uma grana boa.
Os sites da internet renovam semanalmente
seu estoque de gatas vertiginosas.
E o namorado apóia, o pai fica orgulhoso,
a mãe acha um acontecimento, as amigas invejam,
então pudor pra quê?
Não sei se os homens estão radiantes
com esta multiplicação de peitos e bundas.
Infelizes não devem estar, mas duvido que algo
que se tornou tão banal ainda enfeitice os que têm mais de 14 anos.
Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade... emocionalmente.
Nudez pode ter um significado diferente e muito mais intenso.
É assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores,
sua história. É erótico ver uma mulher que sorri, que chora,
que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida,
que deixa qualquer um maluco sendo inteligente.
Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende,
sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos.
Aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas,
é o que nos torna humanas, e não bonecas de porcelana.
Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher
em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex,
mesmo que saiba demais.
Pouco tempo atrás, posar nua ainda era uma excentricidade das artistas,
lembro que esperava-se com ansiedade a revista que traria
um ensaio de Dina Sfat, por exemplo - pra citar uma mulher
que sempre teve mais o que mostrar além do próprio corpo.
Mas agora não há mais charme nem suspense, estamos na era das mulheres coisificadas, que posam nuas porque consideram um degrau na carreira.
Até é.
Na maioria das vezes, rumo à decadência. Escadas servem para descer também.
Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal
mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão
de pudores verbais, expor nossos segredos e insanidades,
revelar nosso interior.
Mas é o que devemos continuar fazendo.
Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro.
Não conheço strip-tease mais sedutor."

Texto de Martha Medeiros

01 julho 2010

"O maior sofrimento é nunca ter sofrido"
- Pablo Neruda -

Feliz aquele que consegue assumir a sua vulnerabilidade
E abraçar a sua própria tristeza...
Infeliz aquele que a recusa e a reprime...
Forte não é aquele que sempre sorri e nunca chora...
Fraco não é o que se entristece...
Faz parte da condição humana...
Um dia....tudo o que foi reprimido, bate às portas do coração...
Feliz aquele que tem a capacidade de se "despir"...

Morrer devagar

Quando a vida me obrigou a parar
Apercebi-me de que afinal parar não é morrer…
Parar é necessário!
Morre devagar aquele que nunca pára
E não retira tempo e espaço para si mesmo…
Aquele que enche constantemente as suas gavetas
Sem nunca as esvaziar…
Aquele não lida consigo mesmo
Mesmo com o que não quer sentir…
Morre devagar quem não se liberta do que o consome…
Quem não sabe respirar…apenas o momento…
Morre devagar quem não sabe relaxar
Equivocando-se com as mentiras que diz a si mesmo…
Morre devagar aquele que não se descobre
Nem mergulha dentro de si mesmo
Pois nunca chega a (re)nascer…
Parar…faz falta…
Recolher…
Sentir…
Reflectir…

30 junho 2010

Um dia...

Um dia…dispo-me de todos os preconceitos…
Largo todas as minhas incertezas…
Esqueço todos os meus medos…
Um dia enfrento todos os meus medos…
Solto tudo o que me prende…
Abandono tudo o que me contem…
Um dia esvazio tudo o que me preenche…
Apago tudo o que já fui…
E vivo apenas…o que então serei…
Um dia digo tudo o que aqui dentro guardo…
Expresso tudo o que aqui dentro sinto…
E dou tudo o que aqui dentro tenho para dar…
Um dia liberto tudo o que já senti…
E começo a sentir a liberdade…
Um dia…

18 abril 2010

Uma viagem sonora

Não era música, eram sons…
Não saí do lugar, mas viajei para tão longe…
Estava dentro de uma sala,
Mas contemplei e cheirei o aroma maravilhoso daquele campo de flores…
Os vários instrumentos, os vários ritmos, as várias vozes…
Pareciam me guiar para uma viagem…dentro de mim…
E nos intervalos,
O silêncio no lugar das palmas,
Permitia a continuação do som, vibrando no ar…
Pareceram 5 minutos, mas foram quase 2 horas…
De viagem, de harmonia, de sintonia, de contemplação…
Uma viagem interna, uma viagem sonora…

E se eu tivesse nascido pobre...

E se eu fosse pobre...talvez nascida numa terra com tão pouco para me distrair....
Talvez os brinquedos fossem apenas a própria terra e o que dela nasce...
Talvez não me distraisse com os bens materiais que o dinheiro pode comprar...
Talvez esquecesse que posso viajar e no meu lugar saberia somente estar...
E se eu tivesse nascido pobre....
E se apenas tivesse recebido o amor e o carinho em vez das repreensões do que está supostamente certo ou está errado...
Talvez no lugar de tanta informação que recebi, existisse um espaço, um vazio...para o sentir...para uma maior consciência e valorização humana....
E se eu não tivesse tido brinquedos...talvez teria desenvolvido mais a minha criatividade encontrando brincadeiras com o pouco que tinha ou com o que somente sou....
Talvez, no lugar dos programas de tv, eu tivesse criado jogos, criado ideias, desenvolvido a minha intuição...
Talvez sem tanto ruído interno e externo, eu ouvisse mais o meu próprio coração...
Talvez....
Se na terra apenas eu vivesse, eu brincasse, eu saberia o que nela se semeia e o que nela se colhe....eu me sentiria totalmente ligada e conectada com esta terra que é a base de toda esta existência mundana...

Não é renunciar a tudo o que tenho...é apenas uma reflexão...

Observando outros povos, que tão pouco parecem ter...e afinal, tanto sorriem, tão gratos parecem viver, pelo tão pouco que têm e tanto que conseguem ser...
Cantam e dançam e recebem os outros de braços abertos e com um sorriso nos lábios…
Não sabem o que é ter mais e sabem viver felizes com o tão pouco que têm…

De tanto que se tem, esquece-se o que se é...
De tanto que vamos adquirindo, comprando, armazenando,
Esquecemos do que nos é simplesmente dado.
E tudo nos é dado.
Não construímos o céu nem a terra.
Não comprámos as estrelas nem a lua.
Não armazenamos os mares, os lagos, as montanhas e os vales.
Tudo isto nos foi dado e é a base de tudo, para tudo o resto que aqui existe e que julgamos ter construído e pior, julgamos possuir.

Não renuncio a tudo o que tenho pois o verdadeiro desafio é sentir toda essa gratidão e alegria de quem nada tem, com tudo isto que se pode ter.
Não renuncio para que possa perceber e sentir como sou abençoada por ter nascido onde e como nasci e cresci.

Renuncio apenas aos sentimentos e às emoções que me condicionam...
Às inseguranças que fui adquirindo...
Aos medos que fui construindo...
Às limitações que fui impondo a mim mesma....
Ao espaço cá dentro tão cheio de tanta coisa que na verdade, não importa....
Dou lugar ao novo...
Dou lugar ao sentir...
Dou lugar à espontaneadade da vida....
Entrego-me à minha própria sabedoria, que em mim mesma existe.
Entrego-me à União do Céu e da Terra,
Ao Universo do qual faço parte...
E ao Amor Divino que em mim habita…

27 março 2010

Natureza

Quero me sentar numa praia
Simplesmente olhar o mar
E o cheiro da maresia respirar.
Quero me perder no verde dos campos…
Subir uma serra, apreciar um vale…
Deitar-me numa relva,
Andar descalça nesta terra…
Sentir a areia duma praia nos meus pés
Deliciar-me com a vista numa montanha…
Quero ouvir os pássaros, as gaivotas, a melodia das ondas do mar…
Ouvir o silêncio da natureza…
A música das folhas que cantam nas árvores…
Respirar o ar, aquele ar que mesmo frio me aquece…
Aquele vento, que mesmo forte não me arrefece…
Quero abraçar esta natureza que tanto a alma me refresca!

Quero Ser

Não quero mais discutir, quero apenas ser feliz.
Não quero mais argumentar pelo que julgo ter razão.
Não quero mais guiar-me pela razão, mas sim pelo meu coração.
Não quero mais esquecer o que nesta vida me faz mover.
Quero mais e mais deste meu lado humano,
Sentir as pessoas, a natureza, a energia de tudo o que existe.
Quero mais e mais deste Ser que aqui dentro vive escondido...
Desta Essência que é eterna e tão pura no meu Ser.
Quero mais e mais descobrir quem no fundo e na minha Essência Sou.
Abraçar esse Ser, que abraça o Mundo, que faz parte de todo este Universo, esta Existência.
Quero mais e mais consciência que me faça acordar deste sonho que é viver
Quero estar desperta e acordada para nenhum momento perder.
Quero Ser e apenas Ser
Esquecer o Ter e o Querer....

16 fevereiro 2010

"Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou
da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que
o Simples acto de respirar.

Estejamos vivos, então!»

Pablo Neruda