18 abril 2010

Uma viagem sonora

Não era música, eram sons…
Não saí do lugar, mas viajei para tão longe…
Estava dentro de uma sala,
Mas contemplei e cheirei o aroma maravilhoso daquele campo de flores…
Os vários instrumentos, os vários ritmos, as várias vozes…
Pareciam me guiar para uma viagem…dentro de mim…
E nos intervalos,
O silêncio no lugar das palmas,
Permitia a continuação do som, vibrando no ar…
Pareceram 5 minutos, mas foram quase 2 horas…
De viagem, de harmonia, de sintonia, de contemplação…
Uma viagem interna, uma viagem sonora…

E se eu tivesse nascido pobre...

E se eu fosse pobre...talvez nascida numa terra com tão pouco para me distrair....
Talvez os brinquedos fossem apenas a própria terra e o que dela nasce...
Talvez não me distraisse com os bens materiais que o dinheiro pode comprar...
Talvez esquecesse que posso viajar e no meu lugar saberia somente estar...
E se eu tivesse nascido pobre....
E se apenas tivesse recebido o amor e o carinho em vez das repreensões do que está supostamente certo ou está errado...
Talvez no lugar de tanta informação que recebi, existisse um espaço, um vazio...para o sentir...para uma maior consciência e valorização humana....
E se eu não tivesse tido brinquedos...talvez teria desenvolvido mais a minha criatividade encontrando brincadeiras com o pouco que tinha ou com o que somente sou....
Talvez, no lugar dos programas de tv, eu tivesse criado jogos, criado ideias, desenvolvido a minha intuição...
Talvez sem tanto ruído interno e externo, eu ouvisse mais o meu próprio coração...
Talvez....
Se na terra apenas eu vivesse, eu brincasse, eu saberia o que nela se semeia e o que nela se colhe....eu me sentiria totalmente ligada e conectada com esta terra que é a base de toda esta existência mundana...

Não é renunciar a tudo o que tenho...é apenas uma reflexão...

Observando outros povos, que tão pouco parecem ter...e afinal, tanto sorriem, tão gratos parecem viver, pelo tão pouco que têm e tanto que conseguem ser...
Cantam e dançam e recebem os outros de braços abertos e com um sorriso nos lábios…
Não sabem o que é ter mais e sabem viver felizes com o tão pouco que têm…

De tanto que se tem, esquece-se o que se é...
De tanto que vamos adquirindo, comprando, armazenando,
Esquecemos do que nos é simplesmente dado.
E tudo nos é dado.
Não construímos o céu nem a terra.
Não comprámos as estrelas nem a lua.
Não armazenamos os mares, os lagos, as montanhas e os vales.
Tudo isto nos foi dado e é a base de tudo, para tudo o resto que aqui existe e que julgamos ter construído e pior, julgamos possuir.

Não renuncio a tudo o que tenho pois o verdadeiro desafio é sentir toda essa gratidão e alegria de quem nada tem, com tudo isto que se pode ter.
Não renuncio para que possa perceber e sentir como sou abençoada por ter nascido onde e como nasci e cresci.

Renuncio apenas aos sentimentos e às emoções que me condicionam...
Às inseguranças que fui adquirindo...
Aos medos que fui construindo...
Às limitações que fui impondo a mim mesma....
Ao espaço cá dentro tão cheio de tanta coisa que na verdade, não importa....
Dou lugar ao novo...
Dou lugar ao sentir...
Dou lugar à espontaneadade da vida....
Entrego-me à minha própria sabedoria, que em mim mesma existe.
Entrego-me à União do Céu e da Terra,
Ao Universo do qual faço parte...
E ao Amor Divino que em mim habita…