24 agosto 2010

Felicidade Realista

Complicadinho o Ser Humano, não? Onde está escrito que tem de ser assim ou assado? E se está, porque temos de seguir o que já foi escrito e não criar as nossas próprias páginas da vida? Porque será o Ser Humano, constantemente, insatisfeito?
Metas altas? Tantas!

Ana Sofia Rodrigues


"FELICIDADE REALISTA

De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. "

Martha Medeiros

Seja um idiota

Quantas vezes já dei por mim a dizer "adoro ser parva!" E adoro mesmo...quando estou naquele "estado puro de parvoíce", que brinco com tudo, rio do nada...cada palavra que ouço me faz lembrar uma música que imediatamente me ponho a cantarolar...digo e faço coisas tão parvas, sozinha ou acompanhada, que me fazem sorrir e rir e disfrutar da minha própria parvoíce!
Há melhor "prémio" para os dias difíceis que por vezes vivemos, do que conseguir rir de nós mesmos? Rir do que habitualmente nos consome, nos limita, nos assusta? Há melhor do cantar, dançar e pular, sem razão alguma aparente? Há melhor do fazer surpresas, enviar postais ou mensagens parvas a alguém, apenas e somente para lhe arrancar um sorriso? Há melhor do que ser adulto e conseguir continuar a ser criança?
Não sei porque teimo em ser tão "certinha" às vezes...adoro ser parva!!! Quem me dera ser ainda mais parva, mais dias por semana, mais horas por dia....

Encontrei este belo texto e não pude deixar de o partilhar...

Ana Sofia Rodrigues



"Seja um Idiota

A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.
No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
hahahahahahahahaha!...
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Dura, densa, e bem ruim.
Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.
Pule corda!
Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.
Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:
passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!"

Arnaldo Jabor

Autobiografia em 5 Capítulos

Quantos de nós, não repetimos os mesmo erros, sucessivamente...?
Quantos de nós, não insistimos, constantemente, nos mesmos caminhos...?
Há lições mais demoradas a aprender, nesta escola da Vida...

Ana Sofia Rodrigues


"1) Caminho por uma rua.
Há um buraco profundo no passeio
E caio lá dentro.
Estou perdido…não sei o que fazer.
A culpa não é minha.
Preciso de uma eternidade para descobrir a saída.
2) Caminho pela mesma rua.
E lá está um grande buraco no passeio.
Finjo que não o vejo.
Caio outra vez.
Custa-me a acreditar que esteja no mesmo lugar,
Mas a culpa não é minha.
Ainda preciso de muito tempo para sair.
3) Caminho pela mesma rua.
Há um profundo buraco no passeio.
Vejo que lá está.
Mas caio…já é um hábito
Tenho os olhos abertos,
Sei onde estou
Mas a culpa é minha.
E saio imediatamente.
4) Caminho pela mesma rua.
Há um profundo buraco no passeio.
E passo ao lado.
5) Caminho por outra rua.”

Do “O Livro Tibetano da Vida e da Morte”

22 agosto 2010

"O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até si."

Mário Quintana


Numa tarde fria em Paris, nevava…
Um cego encontrava-se sentado no chão de uma rua no Centro daquela linda e maravilhosa cidade…
O chapéu à sua frente pedia as esmolas e ao seu lado,
Encontrava-se uma tabuleta que dizia:
“Por favor ajude-me, sou cego”
O chapéu continuava vazio…
As pessoas passavam e ignoravam…
Até passar um criativo…
Olhou, parou…
Apagou o que estava escrito na tabuleta e escreveu outra frase…
A partir desse momento as moedas não pararam de cair no chapéu…
Incrédulo, o cego aproximou-se de uma das pessoas que lhe depositava a sua esmola e pergunta:
“Desculpe, pode-me dizer o que está escrito na tabuleta?”
O Sr. Responde:
“Está a nevar em Paris e eu não consigo ver”
“Podemos facilmente perdoar uma criança por ter medo do escuro.
A verdadeira tragédia da vida, é quando um adulto tem medo da luz.”

Platão



Onde colocarias o sal?

"O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal num copo de água e bebesse.
- Qual é o sabor? – perguntou o Mestre.
- Ruim – respondeu o jovem.
O Mestre sorriu e pediu que ele pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem colocou o sal no lago. Então o velho disse:
- Bebe um pouco dessa água.
Enquanto a água escorria pelo queixo do jovem, o Mestre perguntou:
- Qual é o sabor?
- Bom! – disse o jovem.
- Sentes o sabor do sal? – perguntou o Mestre.
- Não – respondeu o jovem.
O Mestre então sentou-se ao lado do jovem, pegou nas suas mãos e disse:
- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando sentires dor, a única coisa que deves fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a tua volta.
É dares mais valor ao que tens do que ao que perdeste.
Por outras palavras: É deixares de ser Copo, para te tornares num Lago."

Outro tipo de mulher nua

"Depois da invenção do photoshop,
até a mais insignificante das criaturas
vira uma deusa, basta uns retoquezinhos,
aqui e ali.
Nunca vi tanta mulher nua.
Os sites da internet renovam semanalmente
seu estoque de gatas vertiginosas. O que não falta é candidata
para tirar a roupa. Dá uma grana boa.
Os sites da internet renovam semanalmente
seu estoque de gatas vertiginosas.
E o namorado apóia, o pai fica orgulhoso,
a mãe acha um acontecimento, as amigas invejam,
então pudor pra quê?
Não sei se os homens estão radiantes
com esta multiplicação de peitos e bundas.
Infelizes não devem estar, mas duvido que algo
que se tornou tão banal ainda enfeitice os que têm mais de 14 anos.
Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade... emocionalmente.
Nudez pode ter um significado diferente e muito mais intenso.
É assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores,
sua história. É erótico ver uma mulher que sorri, que chora,
que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida,
que deixa qualquer um maluco sendo inteligente.
Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende,
sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos.
Aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas,
é o que nos torna humanas, e não bonecas de porcelana.
Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher
em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex,
mesmo que saiba demais.
Pouco tempo atrás, posar nua ainda era uma excentricidade das artistas,
lembro que esperava-se com ansiedade a revista que traria
um ensaio de Dina Sfat, por exemplo - pra citar uma mulher
que sempre teve mais o que mostrar além do próprio corpo.
Mas agora não há mais charme nem suspense, estamos na era das mulheres coisificadas, que posam nuas porque consideram um degrau na carreira.
Até é.
Na maioria das vezes, rumo à decadência. Escadas servem para descer também.
Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal
mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão
de pudores verbais, expor nossos segredos e insanidades,
revelar nosso interior.
Mas é o que devemos continuar fazendo.
Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro.
Não conheço strip-tease mais sedutor."

Texto de Martha Medeiros